A origem do Open-To-Buy
O Open-To-Buy surgiu no varejo americano de departamentos, nas décadas de 1960 e 1970, como ferramenta de controle orçamentário para compradores de mercadoria. O problema era recorrente: compradores excediam o orçamento de compras, acumulavam estoque acima do planejado e comprometiam o capital de giro da empresa — sem sequer ter consciência do desvio até o fechamento do período.
A solução foi criar um mecanismo que funcionasse como um “teto de compras” por período, calculado a partir de variáveis objetivas: quanto se pretende vender, quanto de estoque se deseja ter no final do período e quanto já foi comprado. Nasceu assim o OTB — inicialmente aplicado por categorias dentro de lojas de departamento e, depois, estendido para o planejamento de redes inteiras.
Hoje, redes como Walmart, Target e C&A utilizam o OTB como processo central de controle de compras. A metodologia está consolidada na literatura de varejo e distribuição, com referência original em Donnellan (2014), que documenta a aplicação do OTB como instrumento de Merchandise Financial Planning.
O conceito se expandiu para além do varejo de moda — sua origem mais conhecida. Distribuidoras de alimentos, e-commerces de equipamentos profissionais e redes de material de construção adotaram o OTB adaptado às suas realidades de lead time, volume de SKUs e sazonalidade. O princípio é universal: se uma empresa compra mercadoria para revender, ela precisa de um orçamento de compras calculado, não improvisado.
O que é Open-To-Buy — definição precisa
Open-To-Buy (OTB) é o valor disponível para compra de mercadoria em um período específico, calculado com base em quatro variáveis:
- Vendas planejadas: a projeção de receita (ou unidades) para o período.
- Estoque final desejado: o estoque que a empresa quer ter no último dia do período.
- Estoque inicial: o estoque disponível no primeiro dia do período.
- Pedidos em trânsito: compras já realizadas que ainda não foram recebidas.
Em outras palavras: o OTB é o espaço financeiro que resta entre o que a empresa precisa ter (para vender e manter estoque) e o que já possui ou encomendou. Se o OTB for positivo, há orçamento para comprar. Se for zero ou negativo, o orçamento de compras está comprometido — qualquer compra adicional é excesso.
O OTB não é uma previsão de venda. Não é um limite de crédito com fornecedor. Não é o saldo do caixa. É um cálculo derivado do planejamento mercadológico, cuja função é garantir que as compras estejam alinhadas com o plano comercial da empresa.
Uma distinção importante: o OTB é calculado em valor de custo (preço de compra), não em valor de venda. Se a empresa planeja vender R$ 100.000 em uma categoria com markup de 2x, o custo da mercadoria planejada é R$ 50.000. O OTB que controla as compras opera sobre esses R$ 50.000. Misturar custo e preço de venda na mesma fórmula é um erro que distorce completamente o orçamento.
A fórmula do OTB explicada passo a passo
A fórmula central do Open-To-Buy é:
OTB = Vendas Planejadas + Estoque Final Desejado − Estoque Inicial − Pedidos em Trânsito
Cada variável merece atenção individual.
Vendas Planejadas é a projeção de receita ou volume para o período. Deve ser baseada em histórico, sazonalidade e eventuais ações promocionais — não em desejos ou metas infladas. Um erro na projeção de vendas contamina todo o cálculo do OTB. Silver, Pyke & Peterson (1998) enfatizam que a qualidade do forecast de demanda é o principal determinante da eficácia de qualquer sistema de controle de estoque.
Estoque Final Desejado é o estoque que a empresa quer ter disponível ao fim do período. Esse valor depende da estratégia: uma empresa que opera com alta disponibilidade manterá estoque final maior; uma empresa que prioriza giro enxuto trabalhará com estoque final menor. O estoque final de um período é, naturalmente, o estoque inicial do período seguinte — o que cria uma cadeia de dependência entre períodos consecutivos.
Estoque Inicial é a posição de estoque no primeiro dia do período. Deve ser o estoque físico real — não o estoque contábil. Diferenças entre os dois (quebras, perdas, divergências de inventário) distorcem o cálculo. Em PMEs brasileiras, a divergência entre estoque físico e contábil pode chegar a 5%–10% do valor total — suficiente para comprometer o orçamento de compras de um mês.
Pedidos em Trânsito são todas as compras já emitidas que ainda não foram recebidas no estoque. Incluir pedidos esquecidos é um dos erros mais comuns e mais caros na gestão do OTB. Cada pedido emitido reduz o OTB disponível — mesmo que a mercadoria ainda não tenha chegado ao estoque.
Exemplo numérico completo
Considere uma distribuidora de alimentos com faturamento anual de R$ 18 milhões. O planejamento do mês de maio é:
| Variável | Valor |
|---|---|
| Vendas planejadas (maio) | R$ 1.450.000 |
| Estoque inicial (01/05) | R$ 920.000 |
| Estoque final desejado (31/05) | R$ 980.000 |
| Pedidos em trânsito | R$ 310.000 |
Aplicando a fórmula:
OTB = 1.450.000 + 980.000 − 920.000 − 310.000
OTB = R$ 1.200.000
Isso significa que a distribuidora tem R$ 1.200.000 de orçamento de compras disponível para maio. Se o comprador já emitiu pedidos que somam R$ 310.000, esses estão dentro do cálculo — não precisam ser descontados novamente.
O que acontece se uma variável muda? Suponha que a venda planejada cai para R$ 1.200.000 (redução de forecast):
OTB = 1.200.000 + 980.000 − 920.000 − 310.000
OTB = R$ 950.000
O orçamento de compras caiu R$ 250.000 — exatamente a diferença da venda que deixou de ser planejada. O OTB reflete automaticamente a mudança na expectativa comercial.
E se o estoque inicial está superestimado? Suponha que um inventário revela que o estoque real é R$ 820.000 (R$ 100.000 a menos do que o contábil registrava):
OTB = 1.450.000 + 980.000 − 820.000 − 310.000
OTB = R$ 1.300.000
O OTB sobe porque a empresa tem menos estoque do que pensava — precisa comprar mais para atingir a meta. Esse exemplo mostra por que o inventário físico regular é indispensável: sem ele, o OTB opera com números falsos.
OTB mensal vs. OTB sazonal
O horizonte de planejamento do OTB afeta diretamente sua utilidade e complexidade.
OTB mensal é o formato mais comum e mais operacional. O comprador revisa o OTB a cada mês, ajustando com base no realizado do mês anterior e no forecast atualizado. É adequado para a maioria das PMEs porque sincroniza com o ciclo financeiro da empresa (fechamento mensal, pagamento de fornecedores, análise de resultado).
OTB sazonal cobre um período mais longo — geralmente uma temporada ou semestre — e é usado para planejamento estratégico. Uma distribuidora de bebidas, por exemplo, precisa preparar o estoque para o verão (dezembro a março) com antecedência de 60 a 90 dias, dado o lead time de indústria. O OTB sazonal define o orçamento total da temporada; o OTB mensal distribui esse orçamento mês a mês.
A recomendação prática é: planeje o OTB sazonal para definir o teto global da temporada e reverta para OTB mensal na operação do dia a dia. Isso evita que o comprador consuma o orçamento inteiro nos primeiros meses e fique sem recurso quando o pico de demanda chegar. Donnellan (2014) recomenda que o OTB sazonal seja revisado mensalmente — não é um plano estático, mas um orçamento dinâmico.
Exemplo: OTB sazonal para distribuidora de bebidas
Uma distribuidora de bebidas com faturamento de R$ 22 milhões por ano sabe que 40% da receita ocorre entre novembro e fevereiro (verão + festas). O OTB sazonal para esse quadrimestre seria:
| Variável | Valor |
|---|---|
| Vendas planejadas (nov–fev) | R$ 8.800.000 |
| Estoque inicial (01/11) | R$ 1.100.000 |
| Estoque final desejado (28/02) | R$ 900.000 |
| Pedidos em trânsito | R$ 480.000 |
OTB sazonal = 8.800.000 + 900.000 − 1.100.000 − 480.000
OTB sazonal = R$ 8.120.000
Esse valor é o orçamento total para os quatro meses. A distribuição mês a mês respeita a curva de demanda: novembro recebe uma fatia menor, dezembro e janeiro recebem a maior fatia, fevereiro recebe menos. O OTB mensal de cada período é o desdobramento tático desse orçamento sazonal — com revisão ao final de cada mês para ajustar o mês seguinte com base no realizado.
O que acontece sem OTB — o ciclo do overstock e da ruptura
A ausência de OTB cria um padrão recorrente e destrutivo:
-
Compra por intuição ou por oportunidade. O comprador pede com base no que “sempre pediu”, no desconto do fornecedor ou na pressão do vendedor. Não há referência objetiva de quanto comprar.
-
Overstock em alguns itens. Sem teto de compras, itens com desconto atrativo ou fornecedor insistente tendem a ser comprados em excesso. Capital se imobiliza.
-
Ruptura em outros itens. O capital limitado que foi gasto em excesso em alguns produtos falta para outros — que ficam sem cobertura de estoque.
-
Reação emergencial. A ruptura gera pedidos de urgência (frete mais caro, preço sem desconto, fornecedor alternativo). O custo operacional sobe.
-
Ciclo se repete. O overstock não diagnosticado vira queima de preço, que reduz margem, que reduz capital disponível, que gera mais ruptura.
Corsten e Gruen (2003) documentaram em estudo global que 72% das rupturas de estoque no varejo têm origem em falhas internas de planejamento — não em problemas com fornecedores ou logística. Ou seja: o problema está dentro da empresa, e o OTB é o mecanismo que o resolve na raiz.
O custo financeiro do ciclo
Considere uma distribuidora com R$ 15 milhões de faturamento anual e margem bruta de 25%. Se a falta de planejamento gera overstock de 15% acima do ideal e ruptura de 8% nos itens de maior giro, os números aproximados são:
- Capital imobilizado em excesso: R$ 180.000 a R$ 250.000 (estoque que não precisava estar ali).
- Vendas perdidas por ruptura: R$ 120.000 a R$ 200.000 por ano em margem de contribuição.
- Custo de pedidos emergenciais: 10%–20% a mais em frete e preço de compra.
Somados, esses custos podem representar 1,5%–3% do faturamento anual — em uma empresa de R$ 15 milhões, são R$ 225.000 a R$ 450.000 por ano evaporados por falta de um orçamento de compras estruturado. O OTB não é um exercício acadêmico; é dinheiro direto no resultado.
OTB para PME — como adaptar sem um ERP de grande rede
O mito mais prejudicial sobre o Open-To-Buy é que ele exige um ERP sofisticado para funcionar. Não exige. O OTB é um cálculo — a ferramenta é secundária.
Uma PME pode operar o OTB em planilha com as seguintes condições mínimas:
- Cadastro de produtos organizado (código, descrição, categoria, custo unitário).
- Histórico de vendas confiável por período (mínimo 12 meses, ideal 24).
- Posição de estoque atualizada (inventário recente ou sistema de entrada/saída).
- Controle de pedidos emitidos (notas de compra em aberto).
Com essas informações, a planilha de OTB mensal contém:
| Campo | Origem |
|---|---|
| Categoria | Cadastro de produtos |
| Vendas planejadas (mês) | Histórico + forecast |
| Estoque inicial | Posição de estoque no dia 1 |
| Estoque final desejado | Meta de cobertura (ex: 30 dias de venda) |
| Pedidos em trânsito | Controle de pedidos |
| OTB | Cálculo automático |
A meta de estoque final desejado pode ser expressa em dias de cobertura — uma forma mais intuitiva para o gestor que não está acostumado com valores absolutos. Se a venda diária média de uma categoria é R$ 40.000 e a empresa quer 25 dias de cobertura no fim do mês, o estoque final desejado é R$ 1.000.000. Esse tipo de tradução facilita a operacionalização na PME.
Simplificações aceitáveis para PME
- Calcular o OTB por categoria (não por SKU individual) — desde que a categoria seja homogênea o suficiente para justificar um único parâmetro de estoque. Empresas com até 500 SKUs geralmente trabalham bem com 5 a 10 categorias.
- Usar vendas do mesmo mês do ano anterior como base do forecast, ajustando para tendência — em vez de modelos estatísticos complexos. O ajuste pode ser simples: se o ano está crescendo 12%, multiplique o mês anterior por 1,12.
- Trabalhar com estoque final desejado em dias de cobertura em vez de valor fixo em reais.
Simplificações que comprometem o método
- Não atualizar pedidos em trânsito (OTB superdimensionado → overstock).
- Usar estoque contábil em vez de estoque físico (divergência de inventário distorce o cálculo).
- Aplicar o OTB sem alinhamento com o plano de vendas (compras descoladas da expectativa comercial).
- Operar com um único OTB global (todas as categorias misturadas) — uma categoria em overstock mascara outra em ruptura.
A OTB.AI opera com essa adaptação como padrão: planilha estruturada, processo claro, revisão mensal. Funciona porque o rigor está na metodologia, não na ferramenta.
A diferença entre OTB e MFP
OTB e Merchandise Financial Planning (MFP) são complementares, mas não são a mesma coisa. A confusão é comum e vale a distinção.
OTB é tático. Controla as compras período a período (semana ou mês). Responde: “quanto posso comprar este mês para esta categoria?”.
MFP é estratégico. Planeja vendas, margens, estoques, compras e markdown para toda a temporada ou ano fiscal. Responde: “qual é o plano financeiro da mercadoria para os próximos 6 meses?”.
O MFP define os limites dentro dos quais o OTB opera. Sem MFP, o OTB funciona — mas sem contexto estratégico. O comprador controla o mês, mas não sabe se está acumulando estoque que vai precisar ser liquidado no fim da temporada porque não planejou o markdown com antecedência.
Uma analogia útil: o MFP é o orçamento anual da empresa. O OTB é o acompanhamento mensal da execução orçamentária. Nenhum gestor financeiro operaria sem orçamento anual — e nenhum comprador deveria operar sem OTB mensal.
Em termos práticos para uma PME: o MFP pode ser uma revisão trimestral de 2 horas com o gestor e o comprador, onde se ajustam as projeções de venda, margem e estoque para o trimestre seguinte. Desse plano, deriva o OTB mensal que o comprador usa no dia a dia. Chopra e Meindl (2019) documentam a estrutura de S&OP (Sales & Operations Planning) como o processo que integra esses dois níveis — estratégico e tático — em uma cadência formal de revisão.
A integração completa entre MFP e OTB está detalhada no artigo Merchandise Financial Planning: o guia completo para PMEs.
Erros mais comuns na implementação do OTB
Não atualizar pedidos em trânsito
É o erro mais frequente e o mais silencioso. O comprador emite um pedido, esquece de registrar no controle, e o OTB aparece maior do que realmente é. Resultado: compra acima do necessário. A correção é simples — qualquer pedido emitido entra no cálculo no mesmo dia. Em planilha, uma aba dedicada a pedidos em trânsito com data de emissão, fornecedor e valor previsto resolve o problema.
Usar estoque contábil em vez de estoque físico
O estoque contábil reflete entradas e saídas registradas. O estoque físico inclui quebras, perdas, furtos e divergências de inventário que o sistema não capturou. Em PMEs brasileiras, a diferença entre os dois pode chegar a 5%–10% do valor em estoque. Usar o estoque contábil superestima a posição real e subestima o OTB — ou seja, a empresa acha que tem mais estoque do que realmente tem e compra menos do que precisa.
Aplicar OTB sem alinhamento com o plano de vendas
O OTB deriva das vendas planejadas. Se o plano de vendas é uma planilha esquecida na gaveta, o OTB opera com números desatualizados. A venda planejada deve ser revisada mensalmente — e o OTB recalculado junto. Isso exige uma rotina: no dia da revisão mensal, o forecast de vendas é atualizado, o estoque físico é conferido, os pedidos em trânsito são verificados e o OTB é recalculado. Sem essa cadência, o OTB vira número de enfeite.
Congelar o OTB e nunca revisar
O OTB é um orçamento dinâmico. Se as vendas do mês estão 15% acima do planejado, o OTB do mês seguinte precisa ser refeito com a nova projeção. Se um pedido em trânsito atrasou para o mês seguinte, o OTB de ambos os meses muda. Congelar o OTB no dia 1 e não tocar até o dia 30 é usar o método pela metade.
Não separar OTB por categoria
Usar um único OTB global (todas as categorias misturadas) mascara problemas. Uma categoria pode estar com overstock enquanto outra está em ruptura — e o OTB global não revela isso. O mínimo recomendado é separar por 3 a 5 categorias principais. Empresas com portfólio diversificado podem precisar de 8 a 12 categorias.
Ignorar markup e trabalhar com valor de venda
A fórmula do OTB deve operar em custo de compra — não em preço de venda. Uma categoria com markup de 2,5x tem um custo de compra de R$ 40 para cada R$ 100 de venda planejada. Se o gestor usa R$ 100 no cálculo onde deveria usar R$ 40, o orçamento de compras fica inflado em 150%. Esse erro é mais comum do que parece, especialmente em empresas que não têm o custo unitário cadastrado corretamente no sistema.
Tabela-resumo: variáveis do OTB e suas fontes
| Variável | Definição | Fonte de dados | Frequência de atualização |
|---|---|---|---|
| Vendas planejadas | Projeção de receita ou volume do período | Histórico + forecast | Mensal |
| Estoque final desejado | Meta de estoque ao fim do período | Plano de cobertura | Mensal ou sazonal |
| Estoque inicial | Posição de estoque no dia 1 | Inventário ou sistema | A cada período |
| Pedidos em trânsito | Compras emitidas não recebidas | Controle de pedidos | Diário ou semanal |
| OTB | Orçamento de compras do período | Cálculo | Recalculado a cada revisão |
Próximos passos
O Open-To-Buy é o mecanismo central de controle de compras — mas ele opera sobre uma base de cálculo de estoque que precisa estar correta. Os fundamentos de estoque ideal, estoque de segurança e ponto de reposição estão no artigo Como calcular o estoque ideal para sua empresa em 5 passos.
Para quem quer a estrutura completa — do planejamento estratégico (MFP) à execução tática (OTB) —, o artigo sobre Merchandise Financial Planning detalha como integrar os dois processos em uma cadência mensal operável.
A OTB.AI disponibiliza uma planilha-modelo de Open-To-Buy para PMEs. Para receber, ou para conversar sobre como aplicar isso na sua operação, acesse o Formulario de Contato.
Referências citadas:
– Donnellan, J. (2014). Merchandise Buying and Management (4ª ed.). Fairchild Books.
– Silver, E.A., Pyke, D.F. & Peterson, R. (1998). Inventory Management and Production Planning and Scheduling (3ª ed.). John Wiley & Sons.
– Chopra, S. & Meindl, P. (2019). Supply Chain Management: Strategy, Planning, and Operation (7ª ed.). Pearson Education.
– Corsten, D. & Gruen, T. (2003). Desperately Seeking Shelf Availability. International Journal of Retail & Distribution Management, 31(12), 605–617.